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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014


Mônica 30 Anos


Em 1993, foi lançada a edição especial "Mônica 30 Anos", em homenagem aos 30 anos de criação da personagem. Nessa postagem faço uma resenha sobre essa edição espetacular muito lembrada pelos fãs.

"Mônica 30 Anos" tem 260 páginas no total, formato 19 X 27,5 cm, capa cartonada, papel de miolo offset (com isso, um pouco mais luxuoso que "Maurício 30 Anos", lançada em 1990). O que marca essa edição é que tem várias páginas destinadas à apresentação e seções de curiosidades, além de tirinhas dos anos 60, páginas semanais, histórias republicadas e uma inédita, tudo intercalado com algumas propagandas, se tornando uma obra bem completa que é como que tem que ser as edições comemorativas desse porte.

Em relação às curiosidades, primeiro mostra o Maurício contando como criou a Mônica e a evolução dos traços da mônica. A seguir tem a seção "Álbum de fotografias" que mostram fotos das filhas do Maurício, Mônica, Magali e Mariângela (que inspirou a Maria Cebolinha), quando crianças.


Depois vem a seção "Tudo começou assim..." que mostra a 1ª tira da Mônica e a evolução da MSP, através de texto e ilustrações, e a capa de Mônica # 1 (Ed. Abril, 1970) e em seguida mostra as 30 capas das revistas da Mônica mais legais escolhidas pela MSP, agrupadas por décadas. Todas que escolheram foram bem clássicas e muito boas.

Mostram, ainda, seções com imagens da Mônica no cinema, no teatro, na TV e no mundo que mostram imagens dos filmes, peças de teatro, propagandas que passaram na televisão e capas de revistas do exterior, respectivamente. Legal ver, por exemplo, a imagem da propaganda de 1993 que passou na televisão do chocolate Nestlé. Há também "Mônica no Parque" com imagens do Parque da Mônica e entrevistas com a Mônica-personagem e a Mônica verdadeira.

Uma das páginas da entrevista com a Mônica, filha do Maurício.

Além disso, tem a seção "Como eles veem a Mônica", em que os personagens de vários núcleos falam o que acham dela, como o Cebolinha, a Tina, Papa-Capim, Bidu, dentre outros e, para finalizar, a seção mais importante e muito comentada até hoje que foi "Como eu vejo a Mônica", com 18 ilustrações da Mônica elaboradas por artistas nacionais e internacionais fazem ilustrações, cada um com seu estilo. Tem ilustrações de artistas, como Will Eisner, Andre Le Blanc, Joe Kubert, Ziraldo, Miguel Paiva, Jim Davis e vários outros. Tudo em alto nível e uma melhor que a outra. Com certeza, essa seção foi o grande destaque dessa edição e que, anos mais tarde, serviu de inspiração para a criação da trilogia "MSP50", de "Ouro da Casa" e do recente "Graphic MSP".

Páginas da seção "Como eu vejo a Mônica", com desenhos de Miguel Paiva e  Milo Manara

Depois das curiosidades, mostram 40 tirinhas clássicas dos anos 60 publicadas no jornal "Folha de São Paulo". Foram dedicadas 10 páginas, com 4 tirinhas por página e em cada uma das páginas comentários sobre elas.

Uma das página com tirinhas dos anos 60

Em seguida, colocaram 10 páginas semanais (tabloides) do Cebolinha dos anos 70 que tinham a presença da Mônica, que também saíram no jornal Folha de São Paulo e todas com seus devidos comentários.

Página semanal dos anos 70

Depois disso, vêm as histórias. A relação das histórias, com o número da edição e ano de cada uma, foram essas:

  1. Mônica é daltônica? (MN # 1 - Ed. Abril, 1970)
  2. Um elefante incomoda muita gente (MN # 2 - Ed. Abril, 1970)
  3. A dona da rua (MN # 2 - Ed. Abril, 1970)
  4. Cascão não quer sabão (MN # 1 - Ed. Abril, 1970)
  5. Os perigos da noite (MN # 4 - Ed. Abril, 1970)
  6. A invasão dos discos (MN # 3 - Ed. Abril, 1970)
  7. Quem tem medo da mini-mônica? (MN # 3 - Ed. Abril, 1970)
  8. A vingadora (MN # 82 - Ed. Abril, 1977)
  9. A unhuda (MN # 81 - Ed. Abril, 1977)
  10. Sansão! É o nome do meu coelhinho! (MN # 161 - Ed. Abril, 1983)
  11. A força da Mônica (MN # 6 - Ed. Globo, 1987)
  12. E o mar levou... (MN # 13 - Ed. Globo, 1988)
  13. Confusões mecânicas (MN # 15 - Ed. Globo, 1988)
  14. Como adultos (MN # 4 - Ed. Globo, 1987)
  15. Dodói por causa do Sansão (MN # 18 - Ed. Globo, 1988)
  16. Abraço da amiga ursa (MN # 8 - Ed. Globo, 1987)
  17. Pra ser ideal (MN # 15 - Ed. Globo, 1988)
  18. O duelo das bruxas (MN # 17 - Ed. Globo, 1988)
  19. Por dentro da moda (MN # 14 - Ed. Globo, 1988)
  20. Mônica 30 Anos (inédita)


Foram 19 republicações e uma inédita. Sobre as republicações são todas muito boas e tem vários clássicos dos primeiros números da revista da Mônica da Editora Abril, inclusive tem a primeira história dela nos gibis, "Mônica é daltônica?". A maioria são originais de miolo.

Propaganda e HQ "Mônica é daltônica?"

Mesmo todas agradando, acho que eles ficaram muito restritos a histórias dos primeiros números da Editora Abril e os primeiros da Editora Globo. Prevalecem histórias de 1970 e de 1988, e, com isso, ficaram sem mostrar todos os traços, incluindo os superfofinhos do final dos anos 70. Pelo que deu para entender, a intenção era mostrar as clássicas dos primeiros números aliadas às características da Mônica. 

Histórias dos anos 80 da Editora Abril, só teve "Sansão! É o nome do meu coelhinho!". As de 1988 que colocaram são ótimas, mas podiam variar, até porque estavam bem recentes para aquela época, embora já era permitido republicar histórias de 1988 em 1993, afinal, eram republicadas nos almanaques convencionais da época. Mesmo assim, tiveram preocupação de colocar vários traços diferentes que saíam nos gibis de 1988. É que naquela época cada história tinha traços diferente, de acordo com o roteirista. Preocuparam-se também colocar histórias que mostram todas as características da Mônica, principalmente a sua superforça e seus absurdos, mesmo sendo praticamente do mesmo ano.

Trecho da HQ "Abraço da amiga ursa" (1987)

Não teve nenhuma alteração em relação às histórias originais. Nem na história "O duelo das bruxas" que mantiveram "1988" exatamente como na revista da Mônica # 17 original, como tem que ser. Na época, eles não mudavam mesmo o conteúdo delas e não seria nessa edição especial que fariam isso. 

Trecho da HQ "O duelo das bruxas" (1988)

A edição termina com uma história inédita entitulada de "Mônica 30 Anos". A trama se passa em 2023, já com os personagens adultos, e mostra o Cebolinha casado coma Mônica e com 4 filhos (dois casais) em um ambiente futurista (tipo "Os Jetsons"). Cebolinha cansado da vida de casado com a Mônica e ainda levando coelhadas dela, pede ao Franjinha uma máquina do tempo para voltar a 1993, ou seja, 30 anos atrás, para fazer com que ele na época de criança não se apaixone pela Mônica. 

Trecho da HQ "Mônica 30 Anos"

Tem 28 páginas e é divida em 3 partes. Muito legal essa história. Curiosamente, ela teve uma leve alteração nos traços a partir da 22ª página (página 251 do livro). Começa com um tipo de traços e termina com outra. Mesmo assim, não perde o encanto da história. É sensacional.

As propagandas que aparecem nessa edição, a maioria fazem referência e homenagem aos 30 anos da Mônica. E ainda tem 4 páginas com uma seção "Quem esteve com a gente... nesses anos dourados", antes da história "Mônica 30 Anos", mostrando várias marcas que anunciaram nos gibis ao longo dos anos.

Duas páginas de "Quem esteve com a gente... nesses anos dourados" - 4 páginas no total

Em 2004, "Mônica 30 Anos" foi reimpressa em uma nova versão como formato livro mais luxuoso e sem as propagandas. Foi lançada junto com as versões também de luxo de "Maurício 30 Anos", "Mônica 35 Anos" e "Mônica 40 Anos" (originais de 1990, 1998 e 2004, respectivamente). Essa versão eu não tenho. 

Sem dúvida, "Mônica 30 Anos" é uma edição excelente que vale a pena ter. Uma edição que marcou os fãs, nem tanto pelas histórias, e sim, pelo conteúdo completo das curiosidades, assim como as principais tirinhas, tabloides e também pelas ilustrações feitas pelos artistas convidados da MSP. Para quem for procurar na internet e em sebos, recomendo a versão original de 1993 que é melhor. Tanto pelo fato de ser a original e também porque tem as propagandas originais. 
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As Tiras Clássicas da Turma da Mônica






"As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" é uma coleção da Editora Panini, lançada em 2007, que compila as tiras da turma que saíram no jornal "Folha de são Paulo" em ordem cronológica, desde os primórdios dos anos 60. Até agora foram lançados 7 volumes e nessa postagem vou falar um pouco dessa coleção.

Cada volume tem formato quadrado 21 X 21 cm, capa cartonada, papel de miolo offset e 132 páginas no total, com 3 tirinhas em preto e branco por página, na horizontal, totalizando 360 tiras no total. São vendidos em livrarias e bancas especializadas, custando R$ 19,80 cada. As capas são retiradas de imagens de várias tirinhas publicadas na respectiva edição e, com isso, o público pode saber os traços que prevalecem em cada volume.

Volumes nº 1 ao nº 4

Todos começam com uma introdução com um convidado falando sobre a publicação (com um destaque desse texto na contracapa). No final de cada volume, aparece a seção "Notas", mostrando, em 2 páginas, curiosidades e explicações sobre as tiras para que possa entender as piadas "datadas" e, logicamente, aproveitar para dizer que hoje os personagens não agem daquela forma incorreta.

Ao comprar esses livros, o leitor tem a oportunidade de acompanhar o nascimento de vários personagens, a evolução dos traços e piadas abordando as características dos personagens, trocadilhos e metalinguagens. Em uma época que os personagens falavam com boca fechada, é interessante também nessa coleção acompanhar o que acontecia no Brasil e no mundo nos anos 60 e 70, já que mostram também piadas com os acontecimentos nos aspectos sociais, culturais, financeiros e políticos, só que protagonizadas por crianças.

Volumes nº 5 ao nº 7

As tiras de todos os volumes são as originais com o título do Cebolinha, daí ele protagonizar a maioria delas. Eles procuraram colocar todas que foram publicadas nos jornais, exceto as que foram perdidas com o tempo. Em relação a alteração, foram poucas, sendo mais o Cebolinha falando certo nos pensamentos e isso mais nos últimos volumes, além de, logicamente, não seguir a ortografia da época, como "êle", "êsse", côr", etc (eles seguem a ortografia atual). E omitem também a numeração das tiras, exceto quando a piada é a própria numeração, como a tira nº 1000 e a nº 1111. 

Contracapa do volume nº 3

A seguir, faço um levantamento de como foi cada volume individualmente lançado até agora: 

Volume 1:

Foi lançado em 2007 e reúnem tiras de 1962 a 1964. Apesar de prevalecer tiras "Cebolinha" a partir de 1962, a primeira página mostra tiras do Bidu de 1960 e 1961 que tinham as primeiras aparições do Cebolinha, pois, afinal, o Cebolinha nasceu das tiras do Bidu.

A grande maioria das tiras são protagonizadas pelo Cebolinha. Como as tiras dos jornais levavam seu nome, nada mais natural que aconteça isso. Nesse volume, tudo é novidade e os fãs presenciam as primeiras aparições de todos os personagens, inclusive os principais, como a Mônica, Cascão e Magali, além das estreias do Xaveco (ainda cescrito com "CH"), do Anjinho, como um anjo que que foi parar na Terra por uns tempos como castigo porque fazia travessuras no céu e até do Penadinho, que contracenava com o Cebolinha, ainda com o nome de "Fantasminha".

Uma tirinha publicada no volume 1
 Também tivemos estreias de personagens que ficaram esquecidos com o tempo e que a maioria estão no limbo hoje, como o Garotão, Bernardão, Leonardo, Mingão, Totó e Teveluisão. Desses personagens, só o Teveluisão vingou um pouco mais e pretendo falar um pouco melhor de cada um futuramente na seção "Personagens esquecidos".

Algumas tiras são seriadas que, juntas, formam historinhas, ou simplesmente eles retomam ao assunto da tira anterior. Em relação aos acontecimentos da época, o público acompanha piadas sobre a péssima eficiência dos correios, enchentes, governador de São Paulo, etc. De curiosidades, nessa época o Cascão torcia para o Santos e ainda tem a famosa tira de 1964 em que o Cascão tomou banho para agradar a sua mãe no "Dia das Mães".

Uma tirinha publicada no volume 1

Volume 2:

Foi lançado em 2008 e reúnem tiras de 1964 a 1966. O Cebolinha aparece oficialmente com 5 fios de cabelo e também possui algumas tiras com continuação, formando historinhas. 

Algumas tiras são protagonizadas pela Mônica, Cascão e Bernardão. os personagens secundários que hoje estão no limbo do esquecimento continuam nessa edição, menos o Penadinho, que já estaria protagonizando tiras próprias nos jornais.

Nesse volume fazem piadas do Brasil com 22 estados, conflitos no Vietnã, com a Jovem Guarda, música "Deixa isso pra lá" de Jair Rodrigues, e até com novelas da TV Tupi. Ou seja, tudo que estava acontecendo na época.

Uma tirinha publicada no volume 2

Volume 3:

Foi lançado em 2008 e reúnem tiras entre 1966 e 1967. O que marca nessa edição são as tiras seriadas formando histórias. Com isso, temos uma sequência de 24 tiras do "O Soro da invisibilidade", que anos mais tarde se tornaria uma história do gibi Mônica # 1 (Ed. Abril, 1970).

Além disso, temos quase 30 páginas só com tiras do Salsinha, irmão do Cebolinha, mostrando desde a gravidez da Dona Cebola até o seu primeiro ano de vida. Sim, o Cebolinha já teve um irmão e o seu nome foi escolhido pelos leitores do jornal que publica as tirinhas. E ficou no limbo do esquecimento, com a Maria Cebolinha se tornando a sua única irmã. Boa parte das tiras foram adaptadas anos mais tarde e formaram a história "O irmãozinho", de Mônica # 26 (Ed. Abril, 1972).

O livro ainda tem piadas com referências a ditadura militar, governo e trânsito caótico de São Paulo, etc. E a edição não há mais a presença dos personagens Bernardão, Mingão, Garotão e outros, ficando, então, de vez no limbo do esquecimento, com exceção do Garotão (ainda). 

Uma tirinha publicada no volume 3

Volume 4:

Foi lançado em 2009 e reúnem tiras de 1967 e 1968. Há tiras seriadas que, anos mais tarde, originaram as histórias "Quem bate?" (Mônica # 5 - Ed. Abril, 1970) e "A língua do Cebolinha" (Mônica # 7 - Ed. Abril, 1970) 

Foi a edição que mais marcou pelos retratos do Brasil "sessentista". O público encontra, então, os personagens discutindo sobre Tropicalismo (Gilberto Gil/ Caetano Veloso), super-heróis, anúncios da televisão, Guerra do Vietnã, previsão meteorológica, além das gírias da época.

A partir desse volume, há mais frequência da Mônica, Cascão e Anjinho protagonizando tiras. Ainda há presença do irmão Salsinha. Curiosamente, os personagens frequentavam escola naquela época. Nos gibis eles não iam à escola, sendo que a partir de 2007 eles passaram a frequentar.

Uma tirinha publicada no volume 4

Volume  5:

Foi lançado em 2009 e reúnem tiras de 1968 a 1970. Em relação aos "Retratos do Brasil", fazem piadas com a gripe de Honk Kong, Viagem do homem a Lua, cultura hippie, além de fazer referências a Wilson Simonal e Jorge Ben. Há também metalinguagem das propagandas da Turma da Mônica na televisão.

Começaram a mudar textos do pensamento do Cebolinha, alterando ele falando errado na original. E teve a volta do Garotão.

Uma tirinha publicada no volume 5: pensamento do Cebolinha alterado

Volume 6: 

Foi lançado em 2010 e reúnem tiras de 1970 a 1971. Nessa edição, Magali ganha mais destaque, inclusive protagonizando tirinhas. Há presença do Garotão.

A partir desse volume, as piadas mais adultas começaram a ter menos frequência, já que nessa época "Os Souza" já haviam sido criados e piadas assim foram migradas para eles. Mesmo assim, ainda fizeram piadas sobre o tricampeonato da Copa do mundo de 1970, as propagandas do extrato de tomate "Elefante", tela de Tv tremida, telefone demorando pra dar linha, entre outros. 

Em uma tirinha, eles erraram no texto na época e acabou o Cebolinha falando certo.

Uma tirinha publicada no volume 6: Cebolinha falando certo erradamente

Volume 7: 

Foi lançado em 2011 e reúnem tiras de 1971 a 1973. Garotão aparece em apenas uma tira, que, quem sabe, seja a sua última aparição nas tiras de jornais. Teve também a  volta do Teveluisão. Xaveco começou a ser escrito com "X".

Essa edição teve só 1 página de "Notas", diferente das outras que tiveram 2 páginas. Com a consolidação de "Os Souza" e com os gibis da Mônica em circulação, as piadas ficaram focadas mesmo nas características dos personagens e foram raras as piadas mais adultas com o que estava acontecendo. Ainda assim fizeram piada sobre a violência no país e sobre a TV em cores.

Uma tirinha publicada no volume 7

O volume 7 foi o último lançado, e em 2012 e 2013 tiveram "As Tiras Clássicas do Pelezinho" no lugar. Como as tiras já estavam em 1973, os próximos materiais desssa coleção já vão ter muito conteúdo repetido que sairam nos pockets de tiras da L&PM. Por isso que acredito que eles vão dar um tempo até voltar a produzirem novos volumes.

Como podem ver, "Tiras clássicas Turma da Mônica" é uma excelente coleção da MSP. Para quem gosta de tirinhas e ainda conhecer e acompanhar os primórdios da turma e o que acontecia no Brasil e no mundo nos anos 60 e 70, essa coleção não pode ficar de fora. Vale a pena procurá-las nas livraria ou na internet. É diversão garantida. Recomendadíssimo.

Tomara que algum dia, eles façam livros semelhantes com o Bidu, Chico Bento, Penadinho, etc. Todos os personagens que tiveram tiras nos anos 60 devia ter um livro como esse. Na verdade, acho que tinham que resgatar esse material dos anos 60 que praticamente ninguém tem, como tiras e páginas semanais que nem como fizeram com o Horácio. Acho que venderia muito. Quem sabe um dia.
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Personagens Esquecidos 6: Nico Demo


Nico Demo foi um personagem incorreto criado ainda nas tiras de jornais e que se enquadra na galeria de personagens esquecidos. Nessa postagem, falo sobre ele.

Criado em 1966 em tiras do "Jornal da Tarde", de São Paulo, ele era um garoto levado com um humor sarcástico. Tinha um cabelo que se parecia com chifres e se vestia com roupas pretas bem formais. Ele era um capeta em pessoa, dai o nome Nico Demo, de demônio. Fazia o tipo de bom coração, com a intenção de sempre querer ajudar os outros, mas acabava atrapalhando em vez de ajudar, causando muitas confusões. 

Até ficava a dúvida do leitor se ele tinha mesmo a boa intenção ou se ele realmente queria aprontar com os outros. Era uma coisa muito comum nas tiras e histórias feitas pelo Mauricio do leitor usar a imaginação, interpretando como quisesse, e com o Nico Demo não era diferente.

Tirinha tirada do pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca" (2011)

Além de tiras assim, tinham também em que o Nico Demo era egocêntrico, egoísta, tirando proveito com o sofrimento dos outros. Ele também se passava pelo inocente, não deixando claro se ele estava sendo inocente realmente ou fingindo ser só pra se dar bem. E em outras oportunidades, é confirmado que o  que ele quer mesmo é perturbar os outros. Interessante que raramente ele se dava mal, apenas os outros.

Ele fazia coisas do tipo: mendigo levantava braço pra pedir esmola e o Nico Demo dava um aperto de mão; ele ajuda velhinha a atravessar a rua, mas segura só a luva e ela acaba sendo atropelada; vê mulher caindo do prédio e em vez de socorrer corre para pegar um binóculos para ver a queda; a menina o paquera piscando pra ele e ele assopra os olhos dela; exibe uma faixa para sorrir sempre, enquanto passa um funeral carregando caixão, entre outras. Curiosamente, nessa tirinha apareceu o Charlie Brown, da turma do Snoopy:

Tirinha tirada do pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca" (2011)

O que chamava atenção que suas tiras sempre eram mudas, o que tornava bem interessante, de fazer graça só com as ações e permitir que os leitores entendam a piada só através dos desenhos. Os traços também eram com um efeito serrilhado, meio tremido, como se não tivessem arte-final.

Por causa dessas travessuras todas, o Nico Demo foi o primeiro caso que o Mauricio sofreu censura. Apesar de que nos anos 60 ele ter mais liberdade nas suas criações, já que não tinha a onda do politicamente correto, mas tinha gente que não gostava e implicava com as travessuras do Nico Demo. O "Jornal da Tarde" pediu ao Mauricio amenizar as situações incorretas do personagem nas tiras. Mauricio não aceitou e passou a levar as tiras para o jornal "Folha da Tarde". 

Só que ainda assim continuava a receber críticas e recebendo cartas para que ele mudasse o personagem. Diante de tantas reclamações, para não tirar a essência do Nico Demo e mudá-lo completamente, Maurício simplesmente parou de produzir de vez tiras do personagem, deixando, com isso, no limbo do esquecimento. Afinal, a graça do Nico Demo era aprontar com os outros, mesmo de forma indireta, e tirar isso das tiras, iria descaracterizá-lo. 

Tirinha tirada do pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca" (2011)

Nico Demo ainda aparecia nas propagandas da "Cica" tanto da TV, quanto dos gibis, contracenando com a Turma da Mônica, sendo a maioria das vezes apenas como figurante. As propagandas da "Cica" nos gibis da turma naquela época eram em quadrinhos, como se fosse uma história (provavelmente reproduzindo para os gibis o que passava na TV), então colocavam o Nico Demo em um quadrinho, por exemplo. Com uma curiosidade interessante que ele falou em uma dessas propagandas, que mostro abaixo, diferente das suas tiras antigas.

Propaganda tirada de 'Mônica nº 4' (Ed. Abril, 1970)

Após essas propagandas e sem tiras novas, Nico Demo sumiu de vez sem referência sequer em lugar nenhum. E permaneceu assim, até que em 2003, foi lançado o  livro pela Editora Globo compilando aquelas tiras de jornais dos anos 60. Um presente para os fãs, que aguardam algum material dele há anos. Esse livro tinha capa cartonada e papel de miolo offset, 96 páginas e com formato retangular 13,5 x 21 cm. Era bem semelhante aos livros de tiras da Editora Abril dos anos 70. Abaixo, a capa desse livro:

Livro "As Melhores Tiras do Nico Demo" (Ed. Globo, 2003)

Após esse livro, ele voltou a ser lembrado e apareceu em participações especiais em 2 ocasiões, mais como forma de homenagem e dar sentido às histórias. A primeira foi na história "O Arrependiz", uma paródia ao programa de TV "O Aprendiz" da Record, de Cebolinha # 229 (Ed. Globo, 2005), aparecendo só no quadrinho final, junto com outros personagens esquecidos dos anos 60 para dar graça na história.

Depois dessa, voltou a aparecer em "Lostinho- Perdidinhos nos quadrinhos" (Ed. Panini, 2007), junto com vários personagens esquecidos que estavam presos na ilha todos esses anos. Também foi apenas participação com aparições rápidas.

Cena tirada de "Lostinho - perdidinhos nos quadrinhos" (Ed. Panini, 2007)

Em 2011, foi lançado também um pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca". Esse pocket foi composto de 240 tirinhas, sendo 2 em cada página, assim como os outros da série. Todas sensacionais, mostrando a verdadeira face do Nico Demo. Aliás, esse pocket seria lançado na Panini em 2009, junto com mais 4 pockets diferentes, só que de última hora foram cancelados e esses títulos que seriam lançados pela Panini, foram lançados pela L&PM a partir de 2009 aos poucos.

Capa do Pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca" (2011)

Então, como o pocket seria lançado em 2009, também nesse ano, Nico Demo finalmente passou a ter histórias solo inéditas nos gibis da Panini. Era, então, a volta de vez do personagem depois de quase 40 anos sem produzir nada novo do personagem, já que os outros materiais lançados eram reedições ou apenas participações. Nem na Editora Abril tiveram histórias dele.

História tirada de 'Cebolinha nº36' (Ed. Panini, 2009)

A partir daí, em vários gibis, passaram a ter histórias de 1 ou 2 páginas e mudas também, como eram nas tiras dos anos 60. Eles colocavam os traços serrilhados, como se não tivesse feito a mão livre sem arte-final, igual às tiras antigas. 

Porém, sua personalidade estava um pouco mudada por causa do politicamente correto, como era de se esperar. Ele até continuava com a sua intenção de ajudar os outros, da sua maneira torta, só que de uma formam mais suave do que antigamente. Não seria possível, por exemplo, fazer brincadeiras com velhinha sendo atropelada na rua, defunto e caixão.

História tirada de 'Magali nº 49' (Ed. Panini, 2011)

As vezes ele exercia alguma profissão. Além disso, diferente das tiras antigas, ele passou a se dar mal nas suas tentativas de ajudar os outros, como forma de castigo e ensinar que ajudar de maneira torta é errado e não pode. Tudo do jeito que a patrulha do politicamente correto gosta. Pode ser até que seja a versão que poderia ser, caso o Mauricio aceitasse amenizar o personagem nos anos 70. O que não fizeram naquela época, passaram a fazer nos últimos anos.

História tirada de 'Cebolinha nº 68' (Ed. Panini, 2012)

Nesse período, ele chegou até a aparecer na capa e na história de abertura da 'Mônica # 50', de 2011, como participação em uma ilha junto co outros personagens que estão no limbo do esquecimento. Em "Clássicos do Cinema # 34 - Batmenino & Cascóbim", de 2012, ele contracenou com a Turma da Mônica, como vilão imortal Ra's Al Ghul e nessa ocasião falando e mais uma vez com referência que ele era um personagem esquecido.

História tirada de 'Clásicos do Cinema nº 34' (Ed. Panini, 2012)
Continuaram com histórias novas com o Nico Demo até em 2012, que, inclusive foi o ano que mais produziram histórias inéditas suas, quase todos os gibis tinham alguma dele. Uma das suas últimas histórias em 2012 (considerada mais uma tirinha) nessa nova fase foi essa, de 'Mônica #72'. Essa imagem enviada pelo Washington Brito:

História tirada de 'Mônica nº72' (Ed. Panini, 2012)
E mais recentemente teve participação em 'Cebolinha # 500', de 2014 em dois momentos: uma aparição no pôster na parede do estúdio, e outra junto com outros esquecidos na história do seu Juca. Já histórias solo, não. E em 'Mônica # 87' teve uma história solo de 3 quadrinhos, considerada uma tirinha, marcando a sua volta aos gibis, depois de quase um ano sumido. É que em 2013 praticamente não vimos suas histórias nos gibis.

É natural que tenha menos histórias com ele porque os gibis estão cada vez mais com uma pegada mais politicamente correta. Então, mesmo com atitudes mais amenas, não se pode afirmar que ele fique em definitivo ou não.. Quem sabe, também façam outro pocket da L&PM, caso tenham tiras que ficaram de fora do pocket lançado.

Termino mostrando as capas de alguns gibis citados das histórias do Nico Demo dessa postagem:

Capas: 'Cebolinha nº 229' (2005), 'Lostinho' (2007), 'Cebolinha nº 36' (2009), 'Magali nº 49' (2011), 'Mônica nº 50' (2011), 'Cebolinha nº 68' (2012), 'Clássicos do Cinema nº 34' (2012), 'Mônica nº 72' (2012)
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